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Educação da Cultura Digital entre a Norma e a Prática: Etnografia das Experiências Escolares

16 de outubro de 2026

Data: 16 de outubro de 2026

O projeto ConectAí, iniciativa do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS) com financiamento da Internet Society Foundation, por meio do programa SCILLS, chega à sua terceira edição dedicado a compreender e fortalecer o uso ético, crítico e consciente da internet e das novas tecnologias nas escolas públicas. Nascido da percepção de que a cultura digital já atravessa o cotidiano de crianças e adolescentes, muitas vezes sob tensões entre apropriação e proibição, o ConectAí construiu sua trajetória escutando estudantes em edições anteriores e, agora, consolida esse diagnóstico ao direcionar o olhar para o centro do processo de ensino e aprendizagem: as educadoras e os educadores da rede pública estadual.

Essa nova fase do ConectAí ganha forma no relatório “Educação da cultura digital entre a norma e a prática: etnografia das experiências escolares na aplicação das normas sobre tecnologia no ambiente escolar”. A pesquisa acompanha de perto um momento crucial de transição nas escolas mineiras em 2026: por um lado, o novo Currículo Referência de Minas Gerais exige o ensino systematizado da cultura digital e a estreia do componente curricular de Educação Digital no Ensino Médio; por outro, a Lei Federal nº 15.100/2025 impõe a restrição ao uso de celulares e aparelhos pessoais no ambiente escolar.

A partir de sete semanas de acompanhamento etnográfico em uma escola estadual no município de Contagem, em Minas Gerais, a investigação revela os descompassos, as invenções e as condições concretas enfrentadas por docentes e estudantes:

  • A vigilância tecnotransformada: A restrição aos celulares incorporou cofres, fiscalização e o uso de câmeras de segurança à rotina escolar. Contudo, proibir não elimina o uso, apenas transforma suas estratégias. Entre o controle institucional e as formas de contorná-lo, estudantes encontram brechas enquanto docentes acumulam mais uma função de monitoramento em sala de aula.

  • O trabalho docente invisibilizado: Componentes como Educação Digital estrearam sem a devida formação continuada prévia para os professores. A transformação da diretriz em prática pedagógica tem recaído sobre o esforço individual dos docentes para interpretar materiais, contornar falhas de conexão, operar softwares e adaptar recursos.

  • A Inteligência Artificial sem mediação: A inteligência artificial chegou às tarefas, aos trabalhos e às decisões do cotidiano escolar antes de encontrar uma resposta pedagógica institucional estruturada. Salvo iniciativas isoladas de professores para estimular o pensamento crítico, a ferramenta tem circulado como atalho ou busca rápida de respostas.

  • Repertórios e vivências digitais: Estudantes habitam uma cultura digital viva, repleta de memes, tendências, influenciadores e dinâmicas de plataformas que a escola ainda pouco consegue incorporar como conhecimento crítico. Ao mesmo tempo, a fluência no consumo via celular contrasta com lacunas operacionais básicas em computadores.

Para além de verificar se a tecnologia chega à escola, o ConectAí reforça que a educação digital não se resume a equipamentos ou softwares, mas consiste em um processo humano, dialógico e pedagógico que depende das condições reais de trabalho e de vida de quem ensina e de quem aprende.

Baixe o relatório completo AQUI

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