Projetos

Tropicál_IA

A internet nasceu acompanhada de uma promessa potente: democratizar o acesso à informação, ampliar a participação social e descentralizar o poder. Décadas depois, parte importante dessa promessa permanece, mas a própria internet (e as tecnologias que se desenvolveram a partir dela) também passou a reproduzir e aprofundar desigualdades, concentrar poder econômico e informacional e criar novos desafios para a proteção de direitos humanos.

É nesse contexto que surge o TROPICAL_IA: Inteligência brasileira para regulação de tecnologias e justiça no Sul Global, uma iniciativa estratégica do IRIS, desenvolvida no âmbito da linha de Governança Social da Tecnologia e apoiada pela Luminate e pelo Instituto Beja.

O projeto parte de uma aposta: se a tecnologia pode transformar a sociedade, a sociedade também precisa participar da definição dos rumos da tecnologia.

Isso significa produzir conhecimento a partir da realidade brasileira e latino-americana, aproximar saberes técnicos das experiências de comunidades historicamente marginalizadas e transformar evidências em incidência política. Significa, sobretudo, disputar não apenas como as tecnologias são reguladas, mas para quem e para quê elas devem servir.

Para isso, o projeto articula três frentes:

  1. Saberes e protagonismo popular

Construir pontes entre conhecimento técnico e experiências de comunidades historicamente marginalizadas — incluindo lideranças quilombolas, periféricas e movimentos sociais — para que seus saberes e demandas participem da construção das políticas e dos debates sobre tecnologia.

  1. Pesquisa, evidências e soberania digital

Produzir pesquisas aplicadas sobre os impactos das tecnologias digitais na vida das pessoas, investigando temas como inteligência artificial e seus grandes modelos de linguagem (LLMs), moderação de conteúdo, desigualdades e violações de direitos online. A pesquisa parte de problemas concretos para produzir evidências que fortaleçam a sociedade civil e qualifiquem a formulação de políticas públicas.

  1. Advocacy e articulação em rede

Transformar conhecimento em incidência. Fortalecer alianças entre organizações e movimentos da sociedade civil e atuar junto a instituições públicas e espaços de formulação de políticas para promover uma regulação mais justa, transparente e comprometida com os direitos humanos.

O TROPICAL_IA, portanto, não pretende apenas acompanhar a transformação tecnológica. Quer contribuir para mudar seus rumos.

É a partir dessa perspectiva que o projeto busca construir inteligência regulatória brasileira, fortalecer o protagonismo social e contribuir para um futuro digital em que inovação e direitos humanos caminhem juntos.

Segurança é um bom negócio

A centralidade do ambiente tecnológico está, inclusive, nas possibilidades de geração de renda e na digitalização de negócios e comércio. Contudo, também traz seus desafios: empreendedores que utilizam plataformas digitais para divulgar seus produtos, prestar serviços e gerar renda estão expostos a riscos relacionados à segurança da informação como invasão, perda de acesso e suspensão de contas. Essas ameaças podem comprometer diretamente suas atividades, especialmente em um contexto de sofisticação dos golpes online e baixo letramento digital da população. 

O projeto busca ampliar a segurança digital de empreendedores por meio da criação de materiais, oficinas de capacitação – online e presencial – e de uma campanha de conscientização online. As ações oferecem orientações práticas para a proteção de contas, prevenção e resposta a incidentes, além de informações sobre legislação vigente aplicável ao e-commerce. Com os materiais do projeto, empreendedores digitais terão em mãos as ferramentas necessárias para a segurança de suas contas e do seu negócio.

 O projeto é apoiado pelo Tiktok e tem a parceria do SEBRAE-MG em sua execução. 

Vigilância e Eleições

O projeto investiga como as tecnologias digitais vêm sendo mobilizadas na propostas de segurança pública no debate eleitoral brasileiro, especialmente nas campanhas à Presidência da República. 

Câmeras, reconhecimento facial, inteligência artificial e sistemas de monitoramento são frequentemente apresentados como respostas rápidas a problemas complexos de segurança, articulando discursos de inovação, eficiência, policiamento e vigilância.

Partiremos do estudo dos planos de governo dos presidenciáveis para compreender como esses discursos são construídos, quais promessas e pressupostos os sustentam e quais impactos podem produzir sobre a democracia, a accountability e a justiça social. Para isso, analisaremos propostas e discursos eleitorais, em diálogo com literatura especializada para compreender os riscos de um aumento de práticas vigilantistas sendo implementadas como políticas públicas de segurança. O projeto também produz subsídios para fortalecer a capacidade crítica da sociedade civil diante da instrumentalização eleitoral das tecnologias na segurança pública e de seus possíveis efeitos sobre direitos fundamentais, como privacidade, proteção de dados e não discriminação.

Equipe envolvida